Férias Pela Europa 2010

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Férias pela Europa 2010
Introdução

Decidimos compartilhar o diário de bordo das nossas férias de Verão 2010 por várias razões. Apesar de ser apenas o segundo ano em que optamos por este tipo de turismo, a verdade é que temos adorado toda a experiência. Viajar de Autocaravana vai além daquilo que pode parecer à primeira vista. Enquanto muitas pessoas vêem a Autocaravana como apenas uma ligeira evolução do campismo tradicional, nós vemo-la como uma expressão da liberdade que não conseguimos ter durante o resto do ano, tantas vezes condicionados pela rotina das nossas vidas. “Ao fim de muitos anos a fazermos o tipo de férias tradicionais para muitos portugueses, com estadia num local durante 15 dias que se pareciam repetir até estarmos cheios de vontade de irmos para casa, a opção pela Autocaravana tem sido um respirar de beleza. De “casa às costas” temos percorrido a Europa sem pressões de horários para (quase) nada, sem a certeza absoluta onde vamos pernoitar nem do tempo que vai fazer e, todos os dias, com um cenário completamente diferente do dia anterior, sem tempo sequer para ficarmos cansados ou fartos.

Desta forma, a possibilidade de fazer entender o que são verdadeiramente umas férias deste género, leva-nos a participar no desafio proposto pela Campinanda de partilhar a nossa experiência com a nossa “Antónia”, nome carinhoso pelo qual tratámos a AC deste ano.

 Dia 1 – 17 Julho 2010                                                        

Viseu – Picos da Europa

630 Km

Nem acredito que já passou um ano desde a última vez que escrevemos… Mas o bom é que já estamos outra vez de “casa às costas” noutra aventura pela Europa. Estamos super felizes! Desta vez iniciámos a viagem em direcção a Norte, pois era nosso desejo visitar as Astúrias, mais concretamente os Picos da Europa. Saímos de Viseu com a nova Autocaravana, ou “Tó”como é carinhosamente chamada por todos que desta vez é mais pequena mas mais jeitosinha. Os protagonistas? Os mesmos do ano passado: os meus pais, Dora e Jorge, a minha maninha Beatriz e o Filipe.

Voltando à viagem almoçámos em Sanábria, uma vila medieval já na Galiza, num pic-nic maravilhoso junto ao rio. Comemos só coisas boas que trazíamos de casa: bolo de iogurte, bola de carne, quiche, rissóis e soube melhor que uma refeição chique no melhor restaurante parisiense. As fotos falam por si. Após o almoço seguimos caminho que desta vez é também orientado pelo GPS que nos tem ajudado a poupar tempo! O Filipe conduziu e eu vim no lugar Vip (lugar da frente) onde cantámos músicas dos CDs que gravámos enquanto os pais descansavam um bocadinho. Por fim, chegámos direitinhos ao parque de campismo que eu tinha pesquisado e não desiludiu. O Camping Picos da Europa é bastante agradável e calmo. Está escoltado por imensas montanhas, tem muita relva e uns bungalows de madeira encantadores. Pelo que observámos é bastante frequentado por desportistas e por amantes das caminhadas, já que existem muitos trilhos próprios na zona. Jantámos cedo e cedo nos deitámos porque estávamos cansados.

            Mariana 
   
 Dia 2 - 18 Julho 2010                                                             
Picos da Europa – França, Léon
479,7 Km

Esta viagem está cada vez melhor, apesar de uma noite um pouco complicada para mim, pois devido ao desnível da “Tó” quase não dormi nada. Mas pronto, faz parte e hoje já correu melhor. Continuando, tomámos um pequeno-almoço caloroso com os galões que a mamã preparou e recheado de risos devido à queda da mana, e partimos para o magnífico Santuário de Covadonga. Quando chegámos estacionámos a “Tó” num parque e seguimos a pé para o Santuário. Depois de muito subir, chegámos a uma misteriosa gruta com uma nascente e um pequeno lago. Acabámos de ver esta parte e subimos umas escaditas para a parte central do Santuário. Muito ofegantes, alcançámos uma praça onde se encontrava uma das figuras do Santuário, o rei visigodo Pelayo. Este foi um rei que conquistou aos muçulmanos, as Astúrias e iniciou a reconquista cristã em Espanha a partir de Covadonga. Uma espécie de Afonso Henriques espanhol. Depois de visitarmos este maravilhoso sítio, fomos para os lagos de Covadonga. O certo é que a estrada era horrível, muito estreita, a pique e às curvas (tipo Buçaco há dez anos atrás) e quando havia um cruzamento com os outros carros era muito complicado. Para ajudar a situação apareceram a meio do caminho umas vacas que empataram tudo. Resumindo e concluindo, não chegámos a ir aos lagos porque a “Tó” também já não tinha muito gasóleo. Todos muito tristes descemos a estreitíssima estrada outra vez e seguimos em busca de algum sítio fixe para almoçar! Passámos por Panes e lá perto encontrámos Unquera onde comemos numa pizzaria. Todos comeram sandes e eu comi massa à carbonara. Ao fim de almoço, já com o Filipe ao comando da “Tó e com a barriguinha cheia, dirigimo-nos a França. A tarde foi só andar, até que chegámos, a seguir as ordens da “Hermesinda”  a uma área de descanso, por 8 euros a noite, só para “Tós” em Léon e papámos a comidinha da Mamã. Pronto, amanhã outra pessoa continua a relatar a aventura. Beijinhos.

                      Beatriz

   
   
Dia 3 – 19 Julho 2010                                                     
Léon – Orcival
530 Km

Depois de uma noite bem dormida levantamo-nos tomámos o pequeno-almoço e preparámo-nos para um grande esticão. Configurámos a “Hermesinda” (novo nome dado ao nosso GPS, com inspiração na Princesa Hermesinda, filha de Pelayo) para nos traçar uma rota sem portagens, uma vez que devido à falta do dinheiro do Sarkozy, as portagens em França são um verdadeiro roubo. O início da viagem revelou-se muito agradável com a beleza das paisagens que as estradas secundárias nos proporcionam, entre elas vastos campos de girassóis, castelos e grandes propriedades. Depois de almoçar assumi o comando da “ Antónia”, e o resto da tarde foi calmo até chegarmos ao parque de campismo onde estamos agora em Orcival (França). É um parque calminho, com muita verdura, e galinhas e patos à solta. Tomámos um bom banho para nos refrescarmos da longa viagem e jantámos de acordo com o que a nossa imaginação nos proporcionava. Destaco as tostas recheadas com queijo, fiambre, batatas fritas e molho, e tacos de chourição. Outro pormenor não tão agradável do parque é a presença de milhares de moscas por todo o lado. Neste momento anda a Mariana freneticamente a enxotar as moscas da “ Antónia”. Vou ajudá-la antes que leve com um pano na cabeça. Até amanhã.

                        Filipe

 
Dia 4 – 20 Julho 2010                                                                  
Orcival – Hasliberg (Camping holfstatt-derfli)
657, 8 Km

Ontem quando iniciámos a viagem, a minha maior preocupação seria o que iria escrever no final do dia e que motivos iriam acontecer dignos de registo. A nossa experiência diz-nos que tudo pode acontecer e aconteceu. Iniciámos a viagem deixando para trás um parque de campismo muito simpático, onde galinhas, patos e algumas moscas nos fizeram companhia. A região era extremamente acolhedora mas, há sempre um mas, esta que vejo agora à minha frente e que descreverei mais à frente nesta minha dissertação é, sem sombra de dúvida, o paraíso na sua forma mais esplendorosa. Na viagem de ontem necessitávamos de abastecer a Antónia de combustível e de comprarmos alguns alimentos para fazermos um almoço como a Dorita tão bem sabe. Ao atravessarmos Clemont- Ferrand vimos numa superfície comercial onde decidimos parar. Já na caixa fomos interpelados por um senhor que nos perguntou, em português, se os preços eram mais caros ou mais baratos do que em Portugal? Foi o início de uma grande amizade. Era o Gilberto, o “Sr. Gilberto”. De origem espanhola, casado com uma brasileira, a viver em França e disse-nos que está farto da Europa. Foi de uma simpatia que só alguns conseguem ter. Levou-nos a uma caixa Multibanco, levou-nos a um ponto de combustível, o mais barato. Agradecemos o seu gesto com uma garrafa de vinho verde bem portuguesa que levávamos na nossa despensa. Deixámos para trás este simpático senhor e avançámos em direcção à Suíça. Antes de entrarmos neste país que foi abençoado pelo bom gosto em termos de paisagens, almoçámos numa área de serviço um manjar dos deuses, puré com bocadinhos de frango, ali mesmo cozinhado na nossa Tó. Entrámos na Suíça por Genéve, onde adquirimos logo a Vignette que nos permite circular nas Auto-estradas suíças por apenas 40 euros, pelo período de um ano, e dirigimo-nos à região do Interlaken, ponto previamente pensado para pernoitarmos, que como o nome indica se situa entre dois lagos imensos. Azar dos azares, estava o parque cheio, fechado e nós um pouco cansados, andámos mais meia dúzia de quilómetros e encontrámos um parque de campismo, no mínimo, espectacular. Descrevê-lo por palavras é impossível, por isso já o registei com imagens. Agora espera-nos a Áustria e todo o seu esplendor. Até amanhã.

                                         Jorge

 
 

Dia 5 – 21 de Julho de 2010

Hasliberg (Suíça) – Camping Bonnwalder (Alemanha)

356 km

Podíamos não sair do “Paraíso”onde pernoitámos mas a viagem tinha de prosseguir… do lindíssimo parque de campismo de Holfstatt, na Suíça, situado num vale paradisíaco rumámos a um destino definido – o palácio ou castelo do Rei Louco, na Alemanha e que quase nos ia deixando loucos, feios, molhados e chamuscados…Veremos depois porquê.

Voltando às 9h30 (10h30 hora local) e depois de nos abastecermos numa mercearia local (tal como eu gosto) de pão e salsichas, rumámos serra abaixo com as indicações preciosas da “Hermesinda” que teima em nos levar por estradas às curvas. Passámos ao lado do Liechtenstein e quando a “Antónia” já secava com falta de gasóleo entrámos na Áustria, demos de beber à triste e abastecemos a carteira. Aproveitámos para, na mesma gasolineira, comprar a Vinheta que nos permite andar nas auto-estradas austríacas, por 10 dias, por apenas 7 euros. De volta à estrada, voltámos a entrar em território alemão e, novamente no ziguezague preferido da Hermesinda, lá fomos nós com o “credo na boca” à espera de chegar a tempo ao castelo. O primeiro castelo que vimos foi o da MacDonalds, onde comemos e bebemos. Prosseguimos para a zona dos castelos de Neuschwanstein e de Hohenschwangau, que se situam no topo de umas serras com uma floresta cerrada, próximos um do outro. A zona está bem preparada para receber todo o tipo de veículos, incluindo ACs. Estacionámos a “Tó” e qual turistas sortudos avançámos para comprar os tickets para a visita ao castelo de Neuschwanstein (que era o que queríamos ver) e eis que nos chega a primeira surpresa: naquele dia não havia transporte de autocarro até ao castelo. Então, resolvemos ir a pé pois estamos habituados a caminhadas. “Meia hora faz-se num instante” – pensámos nós. Foi uma caminhada para não esquecer mais. De repente começou a chover torrencialmente e a trovejar de forma assustadora e nós, os cinco mosqueteiros encharcados até à medula e com o coração na boca lá íamos a subir numa serra a pique. Não sei porquê ironicamente só nós subíamos quando todos desciam. Quando os relâmpagos e a chuva se tornaram mais frequentes vimo-nos obrigados a abrigar-nos num quiosque que ficava já perto do castelo. Parecia o dilúvio. E o castelo estava lá, mas era quase inacessível, tal era o mau tempo. Ficámos no quiosque exaustos da subida e encharcados à espera que acalmasse, até porque faltava pouco tempo para a última visita. De repente, a chuva abrandou ligeiramente, e desatámos a correr serra acima para aproveitar a “aberta”. Nós, as meninas, tirámos os chinelos e, enfrentando a água que escorria pela estrada abaixo, lá fomos descalças a correr até ao dito castelo. Encharcados conseguimos fazer a visita e digo: valeu a pena! A minha filhota Mariana estava feliz, e nós, apesar do grande sacrifício, também. O Rei que mandou construiu o castelo e lá habitou, Luís II, era mesmo louco, para construir um palácio luxuoso como aquele no cimo do monte, onde vivia quase em reclusão. Cansados mas felizes, descemos a serra até à “Tó” e procurámos um sítio para ficar. Chegámos a um parque de campismo muito fixe junto a um lago perto do Castelo. Fiz umas salsichas como a “mia família” tanto gosta, com umas batatinhas cozidas e relembrámos com alguns risos o dia agitado que tivemos, e no perigo que corremos ao termos atravessado uma serra tão densa como aquela com o tempo assustador que estava, de chuva torrencial e trovoada. Amanhã vamos a Salzburg e depois Viena. Outro esplendor. Estou feliz porque estou com aqueles que mais amo. Chau

            Dora

Dia 6 – 22 de Julho 2010

Camping Boonwalder - Camping West Wien

Hoje bem cedo acordei a malta, já que havia um longo dia pela frente. O nosso objectivo era chegar a Viena e ainda visitar Salzburg mas isso implicava fazermos muitos km. Logo de manhã viam-se campistas a andarem de bicicleta, a passearem os seus cães, não obstante o facto de serem 7h da manhã. Tomámos o nosso pequeno-almoço habitual que a bordo da “Antónia” sabe sempre muito bem. Arrumámos tudo e partimos em direcção a Salzburgo. Marcámos o caminho na Hermesinda e ela indicou-nos que distavam 200km. Apesar das paisagens das estradas secundárias serem normalmente muito mais bonitas do que as das auto – estradas e de ficarmos a conhecer melhor o “coração” dos vários países, a verdade é que este tipo de trajecto tira-nos muito tempo de viagem e, por vezes, temos de compensar algum tempo.

Lá chegámos a Salzburgo e foi algo complicado arranjar um lugar para estacionar a “Tó”. Definitivamente Salzburg é uma cidade muito bonita mas ainda não está muito preparada para receber veículos mais gordinhos como as autocaravanas (não vimos qualquer indicação). Finalmente lá encontrámos um lugar algo afastado do centro ao lado de uma “mana” alemã. Fizemos o percurso a pé (cerca de 1km) debaixo de um Sol abrasador (38 graus) e com a barriga a dar horas. Salzburg é fantástico, cheio de ruelas onde se sente o pulsar dos tempos, com lojas de souvenirs em que apetece trazer tudo… A cor abundava em todo o lado em produtos e quinquilharias com fitas, flores e roupas tradicionais austríacas e, como é lógico, em todo o lado há referências ao jovem mas brilhante compositor Mozart. Finalmente demos com a casa onde nasceu, onde tirámos algumas fotos para a posteridade e fomos procurar um sítio para almoçar. Encontrámo-lo a poucos metros dali, num beco medieval, onde comemos uns kebabs feitos na hora por um casal turco muito simpático. Souberam ao céu, acompanhados por umas coca-colas e uma cerveja austríaca deliciosa. De seguida, voltámos à Tó pois ainda tínhamos de chegar a Viena. Estava muito calor por isso o caminho até ao estacionamento pareceram 300 km. A viagem até Viena foi feita com muita tranquilidade. A A1 é muito movimentada, com muitos camiões TIR, logo exige muita atenção, mas o Filipe desenrascou-se bem. Chegámos a West Wien relativamente cedo. Arrumámos a Tó e fomos tomar o merecido banho pois estava um calor que nem se podia. O parque é bom mas já estivemos em melhores. Se calhar o facto de termos estado em parques mesmo fantásticos, já nos faz estranhar quando estamos num de qualidade média. Fiz um esparguete à bolonhesa maravilhoso e à sobremesa comemos uma torta de morango acompanhada com um cafezinho da nossa também companheira de viagem “nespresso”. Neste momento estamos a tentar adormecer cheios de calor. Amanhã, Viena!

                                 Mariana

Dia 7 – 23 de Julho de 2010
Viena – 0km

Hoje foi um dia maravilhoso recheado de muita História e de muito calor. Mais uma vez a Mana foi a primeira a acordar e acordou-nos a todos, pois tínhamos um longo dia pela frente. Eram mais ou menos 8h45 quando começámos a tomar o pequeno-almoço. Já com a barriga cheia rumámos a pé até à estação de autocarros mesmo em frente ao parque de campismo. O 152 era o que queríamos para chegar ao centro de Viena. A viagem até ao metro durou 15 minutos. Com os mesmos bilhetes (que davam para 24horas e para qualquer meio de transporte) apanhámos o metro até à Karlsplatz. Quando saímos do metro deparámo-nos com uma igreja lindíssima, a Karlskirche. Como os pais já a tinham visitado na última vez que estiveram em Viena, fomos só eu, a mana e o Filipe. Os bilhetes tinham preços razoáveis e o interior da igreja era maravilhoso. Estava em obras de restauração. Já lá dentro, apanhámos o elevador até ao local mais alto da igreja, a uns 100 metros do chão, onde se pode observar de bem perto os frescos da cúpula. As pinturas eram lindas, com imensos pormenores, desde sombras, a traços dourados para realçar as figuras e muito mais. Nós adorámos e aconselhamos a ir.

De seguida, apanhámos um eléctrico que nos levou ao palácio Belvedere. Este palácio é constituído por dois edifícios, o Belvedere Superior e Belvedere Inferior separados por um grande e esplendoroso jardim. Passeámos bastante tempo pelos jardins, onde tirámos bastantes fotos. Acabámos por não o visitar no seu interior, fica para uma próxima oportunidade. A verdade é que para visitar uma cidade como Viena em tão pouco tempo é preciso fazer uma selecção dos sítios que queremos, realmente, ver, de modo a não corrermos o risco de nos “perdermos” no meio de tanta coisa e acabarmos por não ver nada. À saída do Belvedere, lá estava o eléctrico, que nos levou ao centro de Viena onde estava o tão esperado museu da Sissi, as ruas magníficas e as lojas de marca caríssimas.

Antes de irmos visitar o maravilhoso palácio da Sissi, decidimos ir almoçar. Após alguma procura, a decisão acabou por recair num restaurante italiano, uma Trattoria, onde as pastas mais variadas reinaram. Tudo estava óptimo e ao fim de pagarmos a conta lá nos dirigimos para o palácio dos Habsburgos, o Palácio Hofburg. Quando comprámos os bilhetes nunca pensei que o que íamos ver ia ser tão fantástico, quase sem palavras! A visita demorou umas boas 2 horas, já que vimos tudo de forma calma e sempre na companhia dos áudio - guias que nos explicavam cada pormenor e nos ajudavam a compreender tudo. Começámos a visita numa ala fantástica onde predominavam as porcelanas, serviços de mesa, quase tudo em ouro, prata e bronze, já que na corte vienense quase não se utilizavam a loiça em porcelana. A secção em seguida era mais focada na vida da princesa Sissi. Brutalmente assassinada aos 61 anos na companhia da sua aia numa visita a Genebra, a princesa Isabel viveu uma vida conturbada e muito triste na sua fase final. Seu marido, o imperador Francisco José disse, após a sua morte, que Sissi tinha sido muito amada no seio da sua família e sua filha escreveu que esta tinha morrido da forma como tinha desejado, de forma rápida e indolor. Vimos várias salas com objectos pessoais de Sissi, desde vestuário, réplicas de jóias, pentes, espelhos, até o próprio objecto que a matou, uma pequena lima. Com a visita a este museu fiquei a entender muito como era o seu dia-a-dia e também o que passou durante a sua vida. Após o suicídio do seu filho Rudolf, penso que Isabel se tornou uma mulher mais fria e distante, mesmo dos seus filhos, o que justifica a maneira como viveu os seus últimos anos: em constantes viagens, a fugir de si mesma. Em seguida, visitamos os apartamentos imperiais. O que mais gostei foi o quarto da Imperatriz, que era muito interessante com todos os aparelhos de ginástica.

Quando terminámos a visita descansámos um bocadinho em frente à Câmara Municipal de Viena. Estava a ocorrer uma feira com restaurantes de todo o mundo e àquela hora souberam bem umas bebidas bem fresquinhas. A caminho do parque de campismo ainda passeámos um pouco pelas ruas de Viena com um ambiente fantástico de uma cidade cosmopolita. Eu e a mana ainda bebemos um Frappuccino, uma espécie de batido de chocolate gelado coberto de chantily. Era delicioso!

De volta para o parque nos mesmos transportes e chegámos são e salvos, muito cansados mas muito satisfeitos. Com um banhito fomos ao lugar outra vez. Amanhã continuamos a aventura! Resumo este dia numa só palavra: INESQUECÍVEL!

                        Beatriz

 
Dia 8 – 24 de Julho de 2010-08-10
Camping West Viena – Algures na Eslovénia
328.6 km

Olá outra vez, directamente da Eslovénia. Sim, Eslovénia! Mas já lá chego…

Acordámos mais um dia em Viena, prontos a conhecer mais um pouco desta grande cidade. Com o destino marcado na Hermesinda para o palácio de Schonbrunn, ou como nós lhe chamávamos a um jeito mais português, “Xô Bruno”. Tomámos o pequeno – almoço, despedimo-nos do parque de campismo, sem muita saudade, e seguimos viagem. Antes de chegarmos ao destino parámos num supermercado para nos reabastecermos de comida e para comprarmos uma pomada para as picadas de insectos. Finalmente chegámos ao palácio e ao passarmos ainda em andamento no portão tivemos logo um aperitivo do que nos esperava. Estacionámos num parque ao lado do palácio e lá fomos. Ao fim de comprarmos os bilhetes começámos a visita. O palácio é lindo e está muito bem “recheado”. Focado essencialmente na vida do imperador Francisco José I, da sua mulher, a imperatriz Isabel (ou Sissi) e da imperatriz Maria Teresa. A visita, como aconteceu no palácio de Hofburg, faz-nos perceber a maneira como a corte vivia, numa abundância de divisões e decoração luxuosa. Porém, é de destacar a simplicidade do imperador Francisco José nos seus aposentos, que este preferia decorar com retratos dos seus filhos e da mulher que tanto amanha, Sissi. Mas não foram só estas personalidades que desenharam a história deste palácio. Destaco Mozart, que fez a sua primeira actuação em Viena, na sala dos espelhos do Schonbrunn, com apenas 6 anos. Também o presidente Kennedy e Nikita Khrushchev marcaram presença neste palácio, o que fez com que gostássemos tanto desta visita, embora até tenha sabido a pouco para a Mariana.

Voltámos à Tó e seguimos viagem rumo a Sul. Em viagem decidi espreitar o rumo que a Hermesinda nos tinha traçado e qual não é o meu espanto quando a Eslovénia estava incluída como ponto de passagem até a Itália. Depois de termos a certeza que este país pertencia à União Europeia e que não íamos ter problemas em passar a fronteira (não tínhamos passaportes), perguntámo-nos: “porque não?”. Então lá seguimos rumo em direcção a este país desconhecido, e numa primeira impressão, pareceu-me bastante parecido com Portugal. Chegada a hora de procurar um sítio para ficarmos, perguntámos à Hermesinda se nos encontrava um parque catita. E não é que ela não nos deixou ficar mal? Chegando ao parque, que mais parecia as traseiras de uma casa, deparámo-nos com um sítio muito acolhedor e pitoresco. O parque tem um bar / recepção muito rústica e acolhedora que nos fez sentir em casa. Pena a chuva que não parou, se não tínhamos dado um mergulho na piscina. É tudo por hoje, amanhã mais uma aventura.

            Filipe

Dia 9 – 25 de Julho de 2010
Eslovénia – Iseo (Itália)
544,7 km

Pela segunda vez nestas férias, vou escrever algumas linhas e esperar que elas transmitam a beleza do dia de hoje. Dos países mais jovens da UE, a Eslovénia, tenho a dizer que me encantou…mas ficou para traz…a viagem tinha de continuar. Entrámos na Itália na zona de Trieste e decidimos visitar esta cidade. Pelo pouco tempo que lá estivemos, fiquei com a impressão que é uma cidade organizada com uma baixa portuária, com edifícios lindos, uma bela marina, mas o nosso objectivo do dia estava mesmo ali…Veneza.

A “Tó” fez-se à estrada e “levou-nos” à beira do Mediterrâneo com paisagens magníficas. Mais uma centena de quilómetros à frente e chegámos a Veneza. Estacionámos a “Tó” numa zona de parques chamada Tronchetto. Dali, apanhámos um barco – táxi até à Praça de S. Marcos e, no percurso, fomos admirando a beleza arquitectónica da cidade que agora, por palavras, não encontro forma de descrever. É qualquer coisa de bela, deve ser a cidade que mais palácios e edifícios magníficos tem por metro quadrado. Linda, com os seus canais, as gôndolas, gente e mais gente das mais variadas etnias, raças e crenças. No mais recôndito canto aparecia um som de uma guitarra, um restaurante típico italiano, uma loja de souvenirs, eu sei lá o que mais. Veneza tem tudo o que é belo para ver, até os preços. Não é que sejamos uns tesos mas acho que fomos roubados ao almoço. Os cinco pagámos 77,89 euros por cinco pizas, três coca-colas e uma jarrinha de vinho branco que fica a léguas do nosso. Mas pronto, foi por uma boa causa. Veneza e todos os homens que a construíram e a continuam a manter bela merecem. Depois de almoçarmos percorremos mais algumas ruas, canais e apanhámos de novo o barco – táxi que nos levou à nossa autocaravana. Fiel como sempre, lá estava
à nossa espera para nos levar até à zona de Milão, ou o mais perto possível. Acabámos por fica numa localidade chamada Iseo, linda também, situada ao pé de um lago que amanhã talvez iremos visitar. São, neste momento em que escrevo, 21h45 da noite. A Dora está a fazer um franguinho estufado que vai saber muito bem, pelo cheiro que já se sente. Vou ficar por aqui na escrita hoje. Amanhã será um novo dia, com novos pontos de interesse. Talvez Milão e a sua majestosa Catedral, logo se vê. Por vezes o inesperado é o mais bonito que acontece.

Até à próxima e espero que com o maior gosto, pois estou a adorar estas férias.          

                                      Jorge

Dia 10 – 26 de Julho de 2010
Iseo – Susa/Oulx
307,7 km

Depois de uma noite bem dormida num estacionamento onde pernoitámos “free”, rumámos em direcção a Milão. Afinal estávamos perto. Os homens manifestaram o desejo de visitarmos o estádio de San Siro, aquele do Mourinho, do Figo e do Rui Costa. Nós, as mulheres, apoiámos e lá fomos direitinhos ao famoso estádio onde estacionámos a nossa “Tó” no meio de muitas viaturas de matrícula holandesa, que parecem estar em todo lado. E foi assim, depois de estarmos numa fila imensa, que entrámos no emblemático estádio de San Siro. O Jorge e o Filipe pareciam dois bambinos, primeiro no Museu e depois no percurso pelos balneários das duas equipas que partilham o estádio – o Inter e o AC Milan. Como são os dois do Benfica e fãs do Rui Costa, simpatizam mais com o AC Milan, equipa onde jogou o Maestro. Foi um “must” mas nós temos melhor em Portugal!

Depois do Estádio seguiu-se a visita a Milão (cidade). A “Antónia” ficou paradinha à espera de um autógrafo do Figo (sim, porque é o único que ainda por ali permanece) e nós fomos de eléctrico até ao centro de Milão. Bem, ficámos maravilhados com a arquitectura dos edifícios e, principalmente, com a beleza da Catedral de Milão. Depois de um almoço, de novo no palácio das calorias, o “MacDonalds”, fomos ver a Catedral e aqui o insólito aconteceu: não me deixaram entrar com as minhas filhas por estarmos de calções. Por momentos fiquei a pensar se não estaria num país árabe ou coisa do género. Simplesmente estranho. Saias curtas, calções, decotes, cavas não entram! E para garantir esta anormalidade lá estavam vários elementos de quatro forças de segurança. Não vou esquecer mais. Esperámos pelo Jorge e pelo Filipe que puderam entrar mesmo de calções por serem homens (?), e depois lá seguimos por uma rua espantosa, La Galeria com uma arquitectura espantosa – um assombro. Estão lá as marcas todas, só não estavam nos nossos bolsos os euritos para comprar qualquer uma daquelas “quinquilharias”. Adorámos tudo. Ah! Ainda vimos por fora o “Scala de Milano”, o famoso teatro / ópera. Depois de alguma desorientação lá voltámos no eléctrico para junto da “Tó” que, esperta como só ela, se abrigou à sombra de um candeeiro para que nós nos sentíssemos fresquinhos no seu interior. Não viu o Figo mas levou-nos rumo a Torino para procurarmos um parque para dormirmos, que encontrámos num vale paradisíaco algures depois de Oulx, junto à fronteira com França, para onde seguiremos amanhã. Amei este dia, de novo cheio de História.

            Dora

Dia 11 – 27 Julho 2010                                                                
Oulx – Seigan (França)
542.4 Km

Hoje o dia amanheceu lindo em Oulx, com o despertar do sol por entre as montanhas que nos rodeavam. É mesmo bom acordar na “ Tó” porque sentimos logo o fresquinho da manhã na cara, mal pomos o nariz de fora. Tomámos mais uma vez um pequeno – almoço maravilhoso na rua, com solzinho à mistura, numa espécie de “galão” natural. Em seguida partimos. Sabíamos que o dia iria ser essencialmente para adiantar caminho, ao contrário dos últimos que foram uma constante emoção histórico – cultural. A Hermesinda traçou o caminho em direcção a GAP, já em terras francesas. Mais uma vez pudemos usufruir de estradas interiores e da sua magnífica paisagem. Assim, passámos por estâncias de ski que no Inverno devem ser fantásticas, lagos com água do mais verde que há e as habituais casinhas de madeira cheias de floreiras. A contrapartida foram mais uma vez as curvas e o facto de o tempo não render tanto. No fim da manhã tínhamos feito apenas cento e poucos Kms.

Parámos pelo caminho para reabastecer o frigorífico que já estava a necessitar, num Intermaché. Comprámos uns ingredientes para fazer uma saladinha para o almoço de modo a cortar um bocadinho na dieta muito pouco equilibrada que temos seguido. A salada veio a concretizar-se mais à frente numa área de descanso e apesar de alguns narizes torcidos até foi da satisfação geral seguida de uma melancia muito docinha. E agora, o momento do dia! Quando se preparava para ir deitar o lixo fora após o almoço, o meu pai tropeçou a descer a AC e torceu o pé. Bem, se calhar estou a exagerar, mas o facto é que o meu pai se magoou no pé que ficou a parecer a melancia do almoço, embora menos doce. Fomos a uma farmácia onde comprámos uma meia elástica e é agora o condutor Filipe trouxe-nos a França e da parte da tarde já conseguimos andar um bocado, sempre a inchar (como o pé do pai) nas portagens. Por fim, chegámos a um parque jeitosinho no sul de França, perto de Prepignan onde jantámos umas costeletas deliciosas com arroz e salada para esquecer o acidente de meu pai. Conseguimos içá-lo até à cama, onde recebeu uma massagem pelas mãos da Bibi que é maravilhosa nisso. Pelo respirar dele já está a dormir muito bem pelo que não deve ter muitas dores. Amanhã tentaremos chegar mais perto de Madrid. Bon Soir      

                                Mariana

 
Dia 12 – 28 Julho 2010                                                                
Seigan (França) – El Escorial (Espanha)
871,8 Km

Hoje calhou me a mim a honra de falar do recorde (a nível de Kms) que a “ Tó” alcançou. Passou a “ Deolinda” (a nossa AC do ano passado), mas acho que ela não ficou chateada. O nosso objectivo era ficar mesmo em Madrid, mais concretamente num parque de campismo perto do El Escorial, e conseguimos. Desde manhã até às 21h (horas locais) andámos 871,8 km, o que é muito mais do que esperávamos fazer. Agora vou falar um pouco sobre o nosso dia. Mais uma vez acordámos por volta das 8.30h e depois de nos arranjarmos. Fomos preparar e comer o habitual pequeno – almoço. Com os galões mais saborosos do mundo preparados pela mamã já na barriga, começámos a esquecer França e as chatas das portagens que só roubam as pessoas e entrámos no solo de “nuestros hermanos”. Mal entrámos deparamo-nos com uma portagem! A notícia boa é que não são tão frequentes nem tão caras como as de França. Após termos entrado no país das touradas e tortilhas, não parámos até a um Carrefour, perto de Barcelona, que era super completo. Tinha bombas de gasolina, café e um supermercado. Acabámos por fazer lá todas as compras que queríamos. Chegámos à “Tó”, e a mãe fez cinco sandes que souberam ao Céu!!

Depois de almoçarmos, foi literalmente até às 21h a andar, pois queríamos alcançar o nosso objectivo, isto claro com algumas paragens. A “Hermesinda”, em vez de nos mandar para as estradas fora de Madrid, mandou nos exactamente pelo centro! Até passámos pelo estádio Santiago Barnebeu! Depois disto, ainda andámos uns 90Kms até chegarmos ao parque. Uma palavra: maravilhoso. De certeza que vai para o nosso top 5 apesar de não ter as fabulosas paisagens de parques como o da Suíça ou dos Picos da Europa… A mãe fez pela primeira e última vez peixe (pescada) para ela e para o pai, e nós comemos as costeletas. Bem, agora já com todos a dormir, despeço - me de escrever e das férias da “ Tó”. Adorei tudo, mais uma vez e espero repetir sempre ao lado dos papás, da mana e Filipe!!!

LAST NIGHT!!!!!!!    Beijinhos e até à Próxima…                          

                        Beatriz

Dia 13 – 29 de Julho de 2010

El Escorial (Espanha) – Viseu (Portugal)

406 km

Olá mais uma vez! Desta vez em Espanha, mais precisamente em Madrid.

Acordámos no magnífico parque de campismo "El Escorial", que tinha, sem margem de dúvida, as melhores instalações em que eu alguma vez estive. As casas de banho, para além de serem enormes, estavam com um estado de limpeza espectacular.

Depois de tomarmos o pequeno-almoço, arrumamos as tralhas e seguimos viagem em direcção ao Mosteiro do El Escorial. À medida que nos aproximávamos da entrada principal, fui apercebendo-me da grandeza do edifício. Visto de fora, destacava-se mais pela sua grandeza do que pela utilização de ornamentos, elementos a que estávamos habituados a ver em Palácios como o Schonbrunn. A visita ao interior do Mosteiro estava dividida em 3 partes. A primeira consistia numa exposição de elementos que tinham servido de base para a construção do Mosteiro. Todo o processo estava explicado, desde as primeiras maquetas do edifício, até aos elementos usados na construção do mesmo (serras, pás, gruas). Subimos um andar e passámos à segunda parte da visita. Este andar possuía em muito bom estado de conservação elementos da vida quotidiana da família Real. Começou com uma exposição de quadros, com as típicas pinturas da família Real, e acabou com quadros de temas religiosos que demonstravam a sua imensa devoção católica. De seguida, vimos uma sala que tinha a cama do Rei Filipe II, que tinha um pormenor curioso, era de origem portuguesa. Continuámos com a nossa visita até que demos com uma sala que nos deixou de queixo completamente caído. Uma sala enorme, em que todas as paredes estavam pintadas, simulando tapeçarias, retratando todas as batalhas que a Espanha tinha ganho (inclusive uma contra Portugal). Ainda de queixo caído continuámos a nossa visita, e deparámo-nos com uma sala ainda mais impressionante, a biblioteca. Também ela enorme, tinha um chão de mármore impressionante, e uns frescos no tecto ainda mais impressionantes.   À medida que ia atravessando a sala, ia reparando no excelente estado de conservação em que os livros se encontravam, e nos frescos no tecto, que tinham como tema o conhecimento e sabedoria.

Voltamos a descer, e passamos à terceira e última parte da visita. Começamos por visitar o Panteão dos Infantes, em que estavam sepultados os príncipes, infantes e rainhas que não tinham sido mães de monarcas. O cenário ao mesmo tempo que era espectacular, também era um pouco tenebroso. E eis que chegamos ao Panteão dos Reis, um dos pontos altos da visita. Para aceder ao Panteão tínhamos que descer umas grandes escadas, e à medida que nos aproximávamos, sentíamos o ambiente cada vez mais frio. Coloquei-me no centro do Panteão (tinha uma forma oval) e comecei a reparar em cada pormenor da sala. Cada caixão tinha o nome do Rei, e muitos pormenores em ouro. Já apertados em tempo (porque o tempo do parquímetro da Tó estava a acabar), espreitamos a Igreja, que por sua vez também era espectacular, e seguimos viagem. Ainda pensámos visitar o Vale dos Caídos, monumento ali perto, mas de momento encontra-se encerrado para obras.

Continuámos viagem e só parámos em Viseu, o que significa que este é a última página do diário de bordo deste ano.

Despeço-me com saudade, que grandes férias que foram estas!

Filipe Nunes

 


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